domingo, 6 de abril de 2008

Força

Tás a sentir 
Uma página de história
Um pedaço da tua glória
Que vai passar breve memória
Cuspo directo no caderno
Rimas saídas do inferno
Num tempo que pareceu eterno
Tou de cara lavada
Tenho a casa arrumada
Lembrança apagada
Duma vida quase lixada
Apetece-me gritar
Até rebentar as artérias
(Respiro fundo)
E lembro-me da força
(Guardo dentro do meu corpo)
Espero que ela ouça
Todo o amor deste mundo
Perdido num segundo
Todo o riso transformado
Num olhar apagado
Toda a fúria de viver
Afastada do meu ser
(Cansado de viver)
Até que um dia acordei
(E logo desesperei)
Vi que estava a perder
Toda a força que cresceu
A vontade de gritar bem alto:
"O meu amor morreu"
Todo o mundo há-de ouvir
Todo o mundo há-de sentir
Tenho a força de mil homens
Para o que há de vir
Flashback instantâneo
Prazer momentâneo
Penso e digo até
Que bate duro
No meu crânio
Toda a dor
Toda a raiva
Todo o ciúme
Toda a luta
Toda a mágoa e pesar
Toda a lágrima enxuta
Odiando como posso
Não posso encher a cabeça
Não há dinheiro
Nem vontade
Ou amor que o mereça
Não vou pensar de novo,
Vou-me pôr novo
Neste dia novo
Estreio um coração novo
Acredita que custou
Mas finalmente passou
No final do dia
Foi só isto que restou
Vai haver um outro alguém
Que me ame e trate bem
Vai haver um outro alguém
Que me ouça também
Vai haver um outro alguém
Que faça valer a pena
Vai haver um outro alguém
Que me cante este poema

terça-feira, 18 de março de 2008

instantes felizes

"Antes, tivemos gestos que nos levaram àquele instante; depois, tivemos gestos que nos tiraram daquele instante; mas, naquele instante, estávamos felizes."

José Luís Peixoto, Cemitério de Pianos

quinta-feira, 6 de março de 2008

Se

Se pudesse fazia por ti, tudo o que não posso
em cada olhar que fica, cada beijo que voa
a cada palavra amiga que sozinha nos conta
esta história tão leve, por mais breve que seja
faz eterno um só momento por mais esquecido que esteja.
Se eu pudesse, ser um pouco mais do que isto
ser mais que uma palavra, uma melodia que capta o teu ouvido
mais que um mito sem sentido.
Por detrás desse sorriso, duvidas sem nomes,
não mas apontes,
deixa-me só tentar mostrar que as respostas não estão lá fora.
Se eu pudesse, dizer tudo o que eu quero,
poder ter tudo num verso, sem ter contudo um regresso.
Tudo confesso, cada segredos que este meu silêncio encerra
e no teu abraço peço o calor que o mundo me nega
faz-me sorrir como só tu sabes
no escuro, dá-me a calma da tua voz.
Se eu pudesse, secava as lágrimas que eu não sequei,
mudava as respostas que quando querias não dei
eu sei que vales mais e é esse mais que ainda procuro
não sei se o tenho mas mantenho esperanças no futuro
Atento ao tempo e não me lembro de mudar por mim
cinzento por dentro procuro mil e uma cores em ti
encontro pisos incandescentes,
és a policromia que me preenche sonhos a preto e branco.
Eu também tenho medo, mas se pudesse não o guardava em segredo
tornava tudo tão óbvio, tão dócil e brilhante
certeza sem barreiras que tu precisas de ter
ou a felicidade que te dou mas que não sei manter
Quando penso na diferença que faz estar ou não estar contigo
não vivo através de ti, mas aprendi a viver comigo
cada opinião que trazes vale por mil sentenças
quando estás dás força e não motivação apenas
eu aposto que não reparas, que nem sabias
que existe admiração até nas minhas atitudes frias
Se eu pudesse, ser diferente e mudar
ser o que mereces e manter-me assim
trocar a vida que tenho pela que desejas
e não te encher de lágrimas quando me beijas
ser o teu mais que tudo
quando tudo o resto é triste ...

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Saudade.

"A saudade mais dolorosa é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Eu podia ficar na sala e ele no quarto, mas sabia que ele estava lá.
Eu podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem me ver, mas via-o amanhã.
Saudade é não saber.
Não saber mais se ele emagreceu, cresceu.
Não saber se ele ainda usa aquela peça de roupa que eu gostava tanto que ele vestisse.
Não saber se ele tem ido às aulas, se ele tem saído à noite, se ele tem ido à internet, se ele ainda prefere coca-cola a ice tea, se ele continua sorrindo, e se eu continuo o amando.
Saudade é não saber.
Não saber o que fazer nos dias que ficam mais compridos.
Não saber como encontrar tarefas para me distrair e não pensar.
Não saber como frear as lágrimas diante de uma música.
Não saber como vencer a dor de um silêncio que tudo e nada preenche."

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Arrisco, ganho. Perco, aprendo.

"Não penses que não consegues,
age para conseguires."

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

ar gasto dos sentimentos

"As palavras não vencem
obstáculos nem conquistam sentimentos,
apenas os cativam."

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

vive o momento

Foi numa Segunda-Feira. Eram mais ou menos 9 horas da manhã. Eu estava sentado num dos bancos de um comboio. São todos iguais, tal como são os comboios que apanho todos os dias para ir trabalhar, mas naquela manhã tudo ficou diferente. À minha frente sentou-se uma figura feminina, bela, distinta, com uns óculos que lhe davam uma certa elegância. Eu tirei os olhos do jornal que lia e fixei-os nela, sem de lá mais sairem. E foi assim, durante uma paragem, duas, três, quatro, cinco. Os dela percorriam descontraidamente a paisagem lá fora. A meio da viagem ela correspondeu: olhou-me e sorriu timidamente, sorri e olhei para o chão. Quando levantei de novo o olhar, ela também já se levantava. A sua paragem tinha chegado. De costas para mim, senti um último olhar. Ela saiu e nunca mais voltou a entar nos meus dias. E se tivesse dito uma palavra, uma frase, o que teria acontecido?