fotografias de Joana Martins
Pavilhão Atlântico, 14 de Setembro de 2010
Pavilhão Atlântico, 14 de Setembro de 2010
não mereces uma única palavra minha, mas é só para que saibas que para a próxima vez que nos encontrarmos agradeço que me olhes nos olhos. e já agora que me olhes como a pessoa que nunca te virou as costas e se alguma vez não te ajudou quando precisavas foi porque assim não o quiseste. que me olhes com respeito pelo menos. não te estou a dar mais uma razão para que digas que és muito forte e que as outras pessoas é que te estragam a vida pseudo-perfeita que tens, estou-te a dizer que podes continuar sem te preocupares comigo porque eu fartei-me de me preocupar contigo: e desta vez é mesmo! vou-te livrar do sermão da amizade e blá blá blá porque é MESMO escusado.
É tão calado que se for preciso nem damos pela sua presença em casa, mas quando abre a boca só diz porcaria! Mas da boa!! Daquelas saídas que ninguém espera, muito menos vindo dele! Eu admito: Talvez não fale muito porque eu lhe tiro o tempo de antena todo. Só falo pelos cotovelos quando estou em casa. Ainda tenho que descobrir o botão de distribuição de conversa pelo dia inteiro, que deve estar tão bem escondido que não o encontro. Mas eu dou-lhe toda a razão em certas coisas que me diz. Hoje disse uma dessas coisas acertadas (que não vou citar devido a essas coisas da privacidade que só dão problemas às pessoas.) Adoro quando tem estas saídas inesperadas! Riu tanto! Ele é teimoso como tudo e consegue-me por a chorar de raiva de tão teimoso que é! Mas é a pessoa mais culta que conheço. Apesar de maior parte das vezes estar quase a dormir à frente dele enquanto fala, eu estou a ouvir. Eu poderia ter um professor de história privado se quisesse, o problema é que de histórias só gosto das que ele conta da sua adolescência rebelde.
"Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendes que amar não significa apoiar-se, que companhia nem sempre significa segurança e começas a aprender que beijos não são contratos, e que presentes não são promessas.
Acabei de vir da casa do meu ex-namorado. Fui buscar o meu livro e devolver à mãe dele outros dois que ainda tinha cá em casa. Mas tenho mais razões para chamar de amigo que ex-namorado. Mas foi exactamente por ser meu ex-namorado que acabei de me chatear com a minha mãe. Às vezes prefiro acreditar que ela não me percebe por causa da diferença de gerações e tal, e por isso é que diz tudo o que me diz, mas depois vem aquela frase feita: "eu já passei pelo mesmo, já sei como as coisas são"; e vai tudo por água a baixo... Perguntou-me se sou masoquista...! Lá porque ainda não tenho outro namorado não significa que ainda ande a bater com a cabeça nas paredes por ele! Quero viver o que tiver que viver. Quero passar pelo que tiver que passar. Se tiver que sofrer sofro, depois há-de passar. Mas agora no que toca a sentimentos ando bem, obrigada. Ando é stressada, cansada e com as emoções à flor da pele devido a tudo o que a faculdade me dá para fazer! Só quero que tudo isto acabe. Mal posso esperar pelas férias. Mas em relação ao resto não vou desistir. Já aprendi muito e ainda tenho muito mais para aprender. Eu tenho a perfeita noção que não é fácil a situação em que ela está. Há um ano que está em casa, perdeu o emprego. E eu perdi a minha privacidade. Parece que anda mais mesquinha com as coisas, já não posso fazer ou dizer nada que a estou a chatear ou a provocar. É frustrante! Mas não sou capaz de chegar ao pé dela e dizer-lhe! O que é ainda mais frustrante.